MP-RJ investiga possível superlotação no Maracanã em jogos de Flamengo e Fluminense

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Flamengo vai em busca de 3 pontos na Libertadores (Foto: Celso Pupo/Alamy)

O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu um inquérito civil para investigar uma possível superlotação em setores do Maracanã durante partidas de Flamengo e Fluminense. Os dois clubes administram o estádio por meio da Fla-Flu Serviços S.A. e terão que apresentar informações sobre a emissão e a utilização dos ingressos.

A investigação está sob responsabilidade do Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest/MPRJ). Segundo o órgão, a análise de partidas realizadas nos últimos meses apontou possíveis diferenças entre a quantidade de ingressos emitidos e a capacidade prevista para determinados setores. MP-RJ analisa partidas desde dezembro de 2025 O Ministério Público acompanha jogos realizados no Maracanã desde dezembro de 2025 e identificou situações que motivaram a abertura do inquérito. A investigação considera partidas de Flamengo e Fluminense como mandantes e busca entender como os responsáveis controlaram a distribuição do público dentro do estádio. “Entre dezembro de 2025 e agosto deste ano, foram identificadas partidas com indícios de que o número de ingressos emitidos para determinados setores pode ter superado a capacidade dos locais”, informou o MPRJ. Dessa forma, o Ministério Público pretende comparar a quantidade de ingressos disponibilizados com o número de torcedores que efetivamente entraram em cada setor.

Entretanto, a abertura do inquérito não significa que o órgão já tenha constatado alguma irregularidade por parte dos clubes. Ministério Público pede detalhes sobre ingressos do Maracanã Para avançar na investigação, o Gaedest solicitou informações detalhadas sobre o funcionamento do sistema de ingressos. Flamengo e Fluminense deverão informar quantas entradas disponibilizaram para as partidas analisadas, separando os números por setor.

Além das vendas, o levantamento deverá incluir cortesias e gratuidades. Ao mesmo tempo, o Ministério Público solicitou o número de ingressos efetivamente utilizados, o que permitirá verificar quantas pessoas acessaram cada área do Maracanã. A partir desses dados, o órgão poderá comparar a capacidade prevista com a movimentação registrada nas partidas.

Além disso, caso encontre diferenças entre os números, o Gaedest quer saber se existe alguma justificativa técnica para a situação. Flamengo e Fluminense terão 15 dias para responder O Ministério Público estabeleceu um prazo de 15 dias para receber os esclarecimentos.

Procurado pelo ge, o Flamengo preferiu não comentar a abertura do inquérito. O Fluminense, por sua vez, informou que ainda não havia recebido a notificação. Além dos dois clubes, o Gaedest enviou ofícios para outros responsáveis pela operação das partidas.

Entre eles estão a Fla-Flu Serviços S.A., o Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios da Polícia Militar (Bepe) e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj). Da mesma forma, FutebolCard e Cognitive Ruptix Solution terão que fornecer informações ao Ministério Público.

As empresas participam da comercialização e da logística dos ingressos e, portanto, possuem dados que podem ajudar o órgão a reconstruir a movimentação de público nas partidas analisadas. Flamengo registrou público superior a 72 mil na temporada O maior público do Flamengo como mandante em 2026 ocorreu na vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, pelas oitavas de final da Libertadores. Na ocasião, o Maracanã recebeu 72.481 pessoas, sendo 68.510 pagantes. Já o Fluminense registrou sua maior marca na derrota por 3 a 1 para o Vasco, pelas oitavas de final da Copa do Brasil. O confronto levou 48.700 pessoas ao estádio, com 45.195 pagantes.

No entanto, os dados divulgados sobre o inquérito não apontam essas duas partidas especificamente como casos de possível superlotação. Além disso, a investigação não se concentra apenas no público total do Maracanã, mas principalmente na forma como os torcedores ocuparam cada setor. Investigação busca avaliar controle de público no Maracanã O Ministério Público afirma que acompanha a política de público dos estádios como parte das medidas voltadas à segurança dos torcedores. Nesse contexto, a capacidade de cada setor e o controle de acesso são alguns dos pontos considerados durante a fiscalização. Por isso, o Gaedest agora pretende reunir os números fornecidos pelos clubes, pelas empresas responsáveis pelos ingressos e pelas demais entidades envolvidas na operação.

Em seguida, o órgão poderá comparar essas informações com os limites estabelecidos para cada área do estádio. Somente depois dessa análise, portanto, o Ministério Público poderá concluir se houve alguma irregularidade nas partidas investigadas. Até lá, o inquérito permanece na fase de coleta de informações e esclarecimentos dos envolvidos.

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