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A Praça do Império, em Lisboa, volta a servir de palco ao arranque da maior corrida do ciclismo nacional. É dali, à sombra do Mosteiro dos Jerónimos e com o Tejo como pano de fundo, que parte esta quarta-feira a 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta Jogos Santa Casa, uma edição que liga a capital ao Porto ao longo de 1430 quilómetros, distribuídos por dez etapas e um dia de descanso. Joshua Lebo, da Meridian Racing p/b de la Uz, é o primeiro ciclista a ir para a estrada na 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta Jogos Santa Casa. A partir do palanque instalado junto ao Centro Cultural de Belém, o ciclista norte-americano de 29 anos, dorsal 162 nas costas, começa a pedalar às 15 horas e 21minutos, 10 minutos depois do primeiro-ministro, Luís Montenegro cortar a fita, ladeado do edil de Lisboa, Carlos Moedas, Cândido Barbosa, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo e Ezequiel Mosquera, Diretor da Prova. O campeão em título, Artem Nych, corredor russo da Anicolor-Campicarn, vencedor em 2024 e 2025, sairá às 17h12m. Rafael Reis, dorsal 6, igualmente da equipa portuguesa da Anicolor, especialista em contrarrelógio e vencedor por sete vezes em prólogos, fecha o pelotão 17 minutos depois do chefe de fila.
Ao longo de dez dias de competição, o pelotão de 119 corredores (44 portugueses), distribuídos por 17 equipas, enfrentará nove etapas em linha, um contrarrelógio individual, 22 contagens de montanha — incluindo a subida especial à Torre —, quatro prémios de primeira categoria, 22 metas volantes e um dia de descanso antes da reta decisiva. A capital, a partir da qual alinhará um pelotão de 119 corredores e 17 equipas (sete ciclistas por emblema), atribuirá a primeira camisola amarela da edição 87 da Grandíssima. A estreia da UAE no duelo luso A grande novidade internacional chega dos Emirados Árabes Unidos. Pela primeira vez, a UAE Team Emirates-XRG, líder do ranking mundial da UCI e equipa de Tadej Pogačar, João Almeida e António Morgado, participa, pela primeira vez, na Volta a Portugal, depois de já ter andado na Volta ao Algarve, competição que arrasta os grandes nomes e equipas do ciclismo mundial.
A formação dos Emirados, única equipa do primeiro escalão do ciclismo mundial presente, percorre as estradas nacionais com uma equipa jovem, desviando as suas estrelas para a Volta à Polónia. Destaque para o catalão Adrià Pericas, trepador nato de 20 anos, e Rui Oliveira, campeão olímpico de pista. À UAE junta-se um contingente internacional composto pelas equipas espanholas do escalão ProTeam, Euskaltel-Euskadi, que conta com Txomin Juaristi (2.º na Volta de 2023), e a Burgos-Burpellet-BH. As equipas Continentais NSN Development Team (Suíça), Localiza Meoo-Swift Pro Cycling (Brasil), e as norte-americanas APS Pro Cycling by Team Cadence Cyclery e Meridian Racing p/b De La Uz fecham o pelotão estrangeiro. As restantes dez equipas são portuguesas, todas Continentais, com destaque para Anicolor e Efapel, candidatas assumidas à vitória final. No mapa, seis têm morada no norte do país, Anicolor-Campicarn, Efapel Cycling, Feirense – Beeceler, Feira dos Sofás – Boavista, GI Group Holding – Simoldes – UDO, Tavfer – Ovos Matinados – Mortágua. A Credibom / LA Alumínios / Marcos Car leva a cidade do Seixal no dorsal, e Team Tavira / Crédito Agrícola e Aviludo – Louletano – Loulé promovem o Algarve.
A Óbidos Cycling Team fará a estreia. Nych à procura de igualar Joaquim Agostinho A luta pela amarela promete trazer para o tabuleiro a Anicolor e Efapel. A Anicolor, tem o trunfo Artem Nych, vencedor das duas últimas edições e candidato ao terceiro triunfo consecutivo, um feito alcançado apenas por Joaquim Agostinho (Sporting, 1971, 1971 e 1972) e pelo espanhol David Blanco (Tavira, 2008, 2009 e 2010). Como retaguarda, a formação de Águeda junta o francês Alexis Guérin, segundo lugar no ano passado. Do lado da Efapel, dirigida pelo antigo profissional José Azevedo, as principais apostas recaem sobre o colombiano Jesús David Peña, quarto classificado em 2025, e Tiago Antunes, quinto na edição passada. Uma Volta entre Pessoa, Saramago e Torga Em 2026, cada uma das 10 etapas ganha portugalidade com uma citação de um escritores e poetas portugueses. A nova organização da Volta a Portugal, a cargo da Emesports (em substituição da Podium), do ex-ciclista espanhol, Ezequiel Mosquera, transforma, assim, o percurso numa viagem pela cultura lusitana.
José Saramago, José Régio, Miguel Torga, Fernando Pessoa e o heterónimo Álvaro de Campos, António Lobo Antunes e Sophia de Mello Breyner Andresen, acompanham simbolicamente o pelotão pelas estradas nacionais num ano que se assiste ao regresso ao Algarve e Alentejo. O Prólogo, em Lisboa, arranca pela mão do Prémio Nobel da Literatura.
“É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre”, lê-se. A chegada ao Porto e encerramento da 87.ª edição, 10.ª etapa, recupera outra reflexão de Saramago. “O fim de uma viagem é apenas o começo de outra”
A etapa mais longa, entre Beja e Elvas, é enquadrada por Miguel Torga: “Alentejo de horizontes fundidos. Onde a vista se perde na distância”, transporta o público para a planície alentejana.
O poeta e escritor transmontano descreve ainda a ligação (6.ª) entre Santa Maria da Feira ao Alto Douro, Peso da Régua, uma verdadeira homenagem à Estrada Nacional 222, como “socalcos que são passados de homens titânicos a subir as encostas”. A inédita dupla subida à Nossa Senhora da Graça (9.ª etapa), um dos aliciantes da 87.ª edição da Grandíssima, é enquadrada pela famosa frase de Fernando Pessoa. “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
O Gerês sob proteção especial A mesma pena de um dos mais importantes poetas da língua portuguesa e figura central do Modernismo português, pinta os caminhos pelo Minho e Gerês – “Por penhascos pretos. Atrás e defronte, Caminhais secretos”. A passagem do pelotão pelo Parque Nacional da Peneda-Gerês e a travessia pela Mata da Albergaria, pela estrada florestal até à Portela do Homem, segue um roadbook especial e plano específico desenhado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF). Exigindo “fortes medidas de proteção da biodiversidade” da Mata, procurou compatibilizar o espetáculo desportivo com a preservação de uma das áreas naturais mais sensíveis do país. Entre as medidas previstas estão a “limitação dos veículos de apoio ao estritamente indispensável”, a “proibição da permanência de público nas zonas ecologicamente mais vulneráveis” e a “exclusão de meios aéreos em áreas de ambiente natural e outras medidas de gestão consideradas necessárias para proteção das espécies, habitats e restantes valores naturais”, detalhou o organismo nas vésperas do arranque da 87.ª Volta a Portugal em Bicicleta Jogos Santa Casa. O objetivo passa por reduzir ao mínimo o impacto sobre habitats protegidos e espécies sensíveis, tornando esta uma das etapas mais singulares da Volta. Uma Volta que mais do que uma soma de 10 etapas, procura apresentar-se como uma viagem pelo território, pela paisagem e pela memória coletiva.
Das margens do Tejo às ruas do Porto, mergulhando no Algarve, passando pela planície alentejana, serpenteando o Douro, subir à Torre, à Nossa Senhora da Graça e às montanhas do Gerês, a Grandíssima quer voltar a contar Portugal — desta vez, também através da literatura. Etapas 87ª Volta a Portugal em Bicicleta
5 agosto – Prólogo: Lisboa, 6 km (CRI) 6 agosto – 1ª etapa: Lourinhã – Sintra (Queluz), 153 km 7 agosto – 2ª etapa: Sines – Albufeira, 177 km 8 agosto – 3ª etapa: Beja – Elvas, 180 km 9 agosto – 4ª etapa: Figueiró dos Vinhos – Covilhã (Torre), 148 km 10 agosto – 5ª etapa (CRI): Anadia – Águeda, 17 km 11 agosto – Dia de descanso: Santa Maria da Feira 12 agosto – 6ª etapa: Santa Maria da Feira – Peso da Régua, 129 km 13 agosto – 7ª etapa: Vieira do Minho – Termas do Gerês, 147 km 14 agosto – 8ª etapa: Melgaço – Fafe, 166 km 15 agosto – 9ª etapa: Paredes – Mondim de Basto, 141 km 16 agosto – 10ª etapa: Maia – Porto, 124 km ___
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